Imprudência ciclística

Prezados ciclistas, publico aqui para que repassem para os grupos essa notícia de utilidade pública.

Segunda-feira (11/08), umas 22 h, eu estava na parada do Praia Shopping no sentido Vila de Ponta Negra, quando vi passarem alguns grupos de ciclistas no sentido Nordestão da Av. Roberto Freire. Não sei ao certo o grupo, nem tentei ver, e isso não importa. Mas aconteceu que o sinal na frente do Praia Shopping estava fechado, aquele exclusivo para pedestres atravessarem, quando dois grupos (10 ciclistas cada) passaram A TODO PIQUE pela faixa de baixa velocidade (da direita) em um sinal fechado. Todos os veículos estavam parados, bloqueavam parcialmente a visão para a faixa e os ciclistas não a respeitaram.

Isso não é bom!

PRIMEIRO, por conta da possibilidade de acidentes. Não vinha ninguém, certo. Mas se viesse, seria uma colisão grave, podendo causar danos a ambos, ciclista e pedestre. Sabe aquela situação que não vimos o pedestre e, quando nos damos por conta, ele já está na frente? Pois é. Seria uma colisão muito drástica.
DEPOIS, se o sinal está vermelho, precisamos parar, ou pelo menos diminuir a velocidade por precaução.
Um acidente como esse, se pudermos chamar de acidente, é imprudência das brabas e pode deixar consequências graves. Não queremos, nós ciclistas, e não podemos nos igualar à condição de desrespeito pelos menores no trânsito que todos os dias sofremos em nossas magrelas, quando nos fecham, ou não nos respeitam nas ruas, enquanto pedalamos em nossas idas para o trabalho e retorno para casa.

Precisamos observar que o pedalar é mais que um ato esportivo e descompromissado. O pedalar significa não oprimir, liberar espaço na cidade, não poluir e não gerar, ou diminuir, acidentes. Pedalar, tanto quanto qualquer outro ato, é político, é modificador da realidade e do status quo.

Seja um ciclista mais que legal. Seja um ciclista ativo e consciente de seu ato.

Mais uma vez… Não se trata de saber quem é. Isso não me interessa, mas a mudança do comportamento e a consciência pelo coletivo, pelo menor e o bom andamento nas ruas.

Espero que essa mensagem seja repassada para uma boa maioria dos ciclistas de Natal de maneira pacífica e esclarecedora, não como uma mera crítica descompromissada.

Por respeito a todos os grupos que respeitam.

Abraços e até um encontro ciclístico.

Zé Pescador

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Assassinos x Folgados

Convivência mais harmônica é o que mais se precisa nas cidades. Pedestres e ciclistas, mais sensíveis e na escala humana do transporte, geralmente sofrem com o comportamento ofensivo consciente e subconsciente de motociclistas, motoristas de carro, ônibus, caminhão e por aí vai.

Prudência dos dois lados, posturas de respeito, e tolerância facilitam a convivência nas veias urbanas. Tenho vivido na pele essas situações e, na cidade de Natal-RN, sinto que o comportamento de alguns motoristas de ônibus tem sido mais amigável, pois, se estou numa Roberto Freire da vida, eles têm se distanciado para ultrapassagem segura, esperam, caso possam estacionar para receber e deixar passageiros, e tudo isso, claro com o meu dedo polegar sempre bem esticado, agradecendo aquela “camaradagem”.

Lembro de uma ação que participei. O café com motorista, com motoristas de ônibus da empresa Trampolim de Parnamirim-RN. Foi o segundo dessa natureza, e da ocasião, houve a premiação de um “Motorista Amigo do Ciclista”. Isso porque o condutor de uma das linhas segurou um pouco o trânsito em horário de pico para a passagem de um ciclista (Professor John Araújo – sempre presente nas bicicletadas e cicloativista local) que precisava cruzar uma via. O comportamento do condutor foi o de sinalizar com o farol que o ciclista estava seguro para passar. Daí, John, que geralmente anda com uma câmera, pegou o número da linha, e procurou saber quem era aquele “Amigo do Ciclista”.

Uma excelente oportunidade para roda de conversas entre ciclistas e motoristas de ônibus. As reclamações dos ciclistas não foram muito diferentes. Brutalidade, perigo ao qual são postos, o respeito à vida do “pequeno”. Os condutores relataram que sofriam a pressão do trabalho, por conta de dirigir todo o dia numa cidade congestionada um carro daquele tamanho, com horário má educação dos passageiros. O importante não é o prêmio para um motorista, simbólico e dirigido a todos os presentes para reforçar esse comportamento, mas a criação de mais um espaço de diálogo que não o das ruas. Mas o olho no olho e um abraço para reconhecimento das vidas nas diferentes situações.
Boa matéria!

(reportagem publicada originalmente no especial de bicicletas da revista Vida Simples)

Diz a tradição que motoristas de ônibus e ciclistas se odeiam do fundo do coração. Agora, eles estão aprendendo a conviver.

bikebumba

“As pessoas acham que a gente sai de casa todo dia querendo causar um acidente e ferir um ciclista. Pensam que temos má índole”, lamenta o motorista de ônibus Paulo Eduardo Fonseca, que tem 29 anos e dirige coletivos desde os 22. “O sentimento de que sou mais poderoso pelo tamanho do veículo que estou dirigindo, e por isso posso forçar a barra no trânsito, pinta na cabeça. Não vou mentir que não”, confessa. “Mas aí, quando eu vou de bicicleta para o trânsito e tento competir de igual para igual com automóveis e ônibus, vejo o outro lado da moeda e isso acaba amenizando esse lado do poder”, completa. Há dois anos, Fonseca, que mora a 3 quilômetros…

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