Ordens e desordens urbanas

É proibido pisar na grama e cortam árvores nas cidades!

Um ciclista pedalando numa avenida atrapalha, enquanto vinte mil carros não!

São algumas lógicas que me fazem pensar um pouco. Visto pelos princípios que essas premissas desencadeiam, percebe-se que vivemos em uma cidade contraditória, que não privilegia a qualidade de vida das pessoas. Pedalando pela cidade, vejo placas que informam que pisar na grama é proibido. Peguei-me a pensar nessa regra tão ingênua (a priori) de proteção de uma área verde para que as plantinhas não sofram ou que o jardim continue “lindo”.

Fiquei intrigado, realmente intrigado! Dois quarteirões à frente vejo quatro árvores que foram cortadas até o caule principal.

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Mas imaginem… O que isso tem a ver com a mobilidade? Tudo. As árvores privilegiam o ambiente com suas sombras, e cá pra nós, uma sombrinha em Natal é interessante, diga-se de passagem. Esse é apenas um benefício para quem anda nas cidades, pois sim, algumas pessoas ainda usam os pés nesta urbe. Elas proporcionam uma melhor qualidade do ar, já sabemos, mas também diminuem os ruídos promovidos por veículos devido a suas copas, que abafam a “zoada” da cidade. Portanto, são seres e elementos urbanos que atuam numa melhoria da qualidade de vida urbana para além da mobilidade.

As sombrinhas são maravilhosas para nós ciclistas que paramos nesse sol escaldante que castiga a “ignorância” de boa parcela da população, que não reconhece os benefícios das árvores nas cidades. Por falar em pedalar, lembro que já ouvi algumas vozes dizendo que os ciclistas atrapalham o transito de Natal… Como assim? Os ciclistas ocupam mais espaço que os carros? Os carros atrapalham não só os carros, mas o trânsito como um todo. Não é o carro, nem quem o usa que estou culpando, mas o conjunto estado-população-mídia-etc nas relações de justificativas que direcionam este modal como prioridade. O estado diz que a população tem maior renda para comprar carros, as pessoas acreditam que o carro lhes dá liberdade, quando, geralmente só dá status (embora o carro seja uma forma útil, se bem utilizada, de se locomover na cidade), a mídia nunca mostra engarrafamentos em suas propagandas. Na verdade, sempre pessoas lindas (estereótipos) com seu poder de ir e vir de uma maneira divina.

O estado deveria priorizar transporte para todos e com qualidade, sem desculpas de que mais faixas de rolamento são a resolução dos problemas de trânsito na cidade (vide novo projeto da Roberto Freire), as pessoas precisam acordar para pedir um transporte de qualidade para elas todas. É difícil deixar o carro em casa e pegar ônibus. Não, não é, quando exige-se melhoria no transporte para que tu o desfrute. Falta iniciativa! É preciso sair da zona de conforto.

A mídia, bem… Complicado não cair no conto do vigário, quando queres ser o mega-poderoso que desfruta a liberdade de pisar fundo, ter um super celular, usar roupas da novela. Mais uma vez, é preciso tomar conta da situação e da consciência para lembrar que essas são realidades finitas e que não trazem qualidade genuína de vida.

É preciso despertar para uma cidade que seja construída para as pessoas. Na escala das pessoas e em seu benefício. Enquanto estivermos atrás de nossas portas e telas de tv nada adianta.

Enquanto isso, tente pisar na grama e parar embaixo de uma linda sombra de árvore. Veja um transporte menor (bicicleta, patins, moto, skate) como mais uma maneira de se locomover pelas ruas e respeitemos à diversidade. Pais de família se deslocam de todas as formas, não apenas de carro e ônibus.

“Por que é proibido pisar na grama?”

ZC

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10 pensamentos sobre “Ordens e desordens urbanas

  1. Bicicleta na rua é certeza de acidente. E grave. Rua é para carro, não foi feita para bicicleta. Pior ainda os são os egoístas e irresponsáveis que gostam de praticar esporte na rua: um absurdo. Aí quando um coitado de um motorista colide com uma bicicleta e mata um idiota destes, ainda querem culpá-lo. CICLISTAS SAIAM DAS RUAS!

    • Não, cara. Este ponto de vista restritivo e exclusivista é condicionado pela mesquinhez. A rua é pública e se você pensa que elas foram feitas apenas para carros, é porque essa tem sido a opção adotada. A convivência é possível e necessária. De modo geral, seu ponto de vista é fraco e pode ser refutado por meio de diversas experiências ao redor do mundo. Seu fundamentalismo não é apenas ingênuo, mas autodestrutivo. Melhoras.

      • Não, cara, egoísta é você. E irresponsável. É ÓBVIO que bólidos de aço ao lado de bicicletas são uma tragédia anunciada. A circulação de bicicletas em um lugar que foi feito para carros deveria ser PROIBIDA. Sai muito mais barato do que depois ter uma legião de mortos e paraplégicos. (Só o SUS de São Paulo gasta 3 milhões por ano, que EU E OS CONTRIBUINTES NORMAIS PAGAM com NOSSOS impostos.) A convivência é impossível e conclamo as pessoas de bom-senso a reagir a essa irracionalidade.

    • Seu comentário só faz enriquecer o post, seu João.
      Na verdade existem diversas maneiras de se locomover nas ruas. Mobilidade é um conceito que significa a possibilidade das pessoas se locomoverem, independente da maneira que estes têm como possibilidade. O problema não é o carro, mas motoristas como você! Isso é o que você mostra. É mister reconhecer a diversidade de modais de mobilidade nas ruas. Nem todos têm condição de comprar um carro, tampouco essa é a melhor solução para a mobilidade de Natal, por exemplo. A bicicleta não é só um “esporte” a ser praticado na rua. Pessoas a utilizam para ir trabalhar, ir a universidade, comprar pão na esquina, além de utiliza-la como ferramenta de trabalho. A maioria de acidentes que vi envolvendo ciclistas e motoristas de automóveis têm relação com uso de álcool por parte do segundo. Sim, coitados motoristas bêbados que atropelam trabalhadores, pais de família ou praticantes do esporte ciclismo. Perceba a pequenês de seus argumentos. O egoísmo com os quais estão imbuídos. A rua é para os veículos com rodas, sejam eles carroças, bicicletas, carros, ônibus, skate… Todos! É muito ingênuo dizer que a rua é dos carros. Um argumento ultrapassado e sem muito fundamento diante de toda a discussão que remete a mobilidade. Sem falar na integração entre aspectos ambientais, como a arborização que a demanda de carro desconsidera. Derrubemos árvores para construir mais vias, mas quando quiseres estacionar teu carro, onde tem uma sombrinha?! A primeira coisa a procurar. Experimente pedalar e veja quão gostoso é sair da zona de conforto, bem como, o quanto sofremos nós (ciclistas, pedestres, cadeirantes e por aí vai) com a ignorância e o egoísmo da maioria dos motoristas como você. Sou ciclista, sou pai, sou trabalhador e respeito todas as formas de as pessoas se moverem. Se o senhor não quer engarrafamentos, peça para os carros saírem das ruas, inclusive a maioria dos acidentes nas ruas envolvem carros e carros, carros e pessoas, carros e bicicletas, carros e ônibus… Carros, ônibus, carroça, bicicleta, VLT, metrô. Inclusive uso todos os que posso. Abraço e até um dia no trânsito com gentileza e cordialidade.
      Vamos pensar um pouco!?
      Abraço

      • Fisher, a gente se vê no hospital. Vou dar toda a atenção ao seu caso, mesmo que sabendo que você não merece. A não ser que você já tenha pego um atalho para outro lugar.

      • man, se liga, seu coração está nublado de raiva e frustração. como é que você pretende morar em um lugar melhor se se posiciona como dono absoluto da verdade? veja bem, desse jeito, você acabará consigo mesmo. daí teremos que voltar ao inferno para resgatá-lo. sem problema, é nosso trabalho. mas você deve aprender que um pouco de amor e desprendimento conceitual não apenas podem lhe fazer bem, como não prejudicar as pessoas que você diz que ama. perdoe-me se falo de um jeito estranho, mas sei que você é fruto de causas e condições nem sempre conscientes. siga em frente batendo no mundo, mas não ache estranho quando o mundo esmagar você. por favor, tenha em mente que você não nasceu com seus pontos de vista. talvez possa até mesmo se lembrar de que é fruto de aprendizados que se renovam e se atualizam – como se pode ver a partir das próprias células de seu corpo. muito boa sorte para ti. espero que possamos nos encontrar e talvez até mesmo nos ouvir. reconheço que a convivência pode ser difícil num mundo onde o egocentrismo é visto como indispensável. mas tenho em mente o lugar de onde você veio. até a próxima. melhores votos.

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